Sindag divulga Carta Aberta de Ribeirão Preto
23/06/2010
Para marcar o início do Congresso Sindag 2010, o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola divulgou documento, que foi entregue a autoridades e participantes, com os principais temas e reivindicações do setor aeroagrícola, no qual chamou Carta Aberta de Ribeirão Preto.
Veja na íntegra:
Ribeirão Preto, 23 de junho de 2010
CARTA ABERTA DE RIBEIRÃO PRETO
A Aviação Agrícola brasileira, que possui a segunda maior frota do mundo, é um importante instrumento de apoio à produção e tem papel fundamental no processo de crescimento das mais diversas culturas agrícolas. Atitudes firmes e urgentes são necessárias para o maior desenvolvimento deste setor no mercado nacional. Além disto, é oportuno buscar meios para tornar a aviação agrícola mais acessível aos nossos produtores.
O Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola - SINDAG - vem acompanhando o esforço das autoridades governamentais no que se refere ao desenvolvimento da agricultura, o que vem proporcionando ao longo dos últimos anos um relativo aumento da produção nacional de grãos.
Todavia, para que a aviação agrícola tenha um crescimento proporcional ao desenvolvimento e às necessidades da nossa agricultura, é necessário que existam políticas governamentais específicas para o fomento do nosso setor, visto que temos um papel fundamental para o tratamento fitossanitário da produção agrícola do Brasil.
Sendo assim, gostaríamos de identificar alguns fatores que consideramos ser os principais limitadores do crescimento do uso da aplicação aérea:
Combustível:
• Alto custo de combustível aeronáutico – o preço do combustível nacional é, aproximadamente, 45% mais caro do que aplicado nos demais países do Mercosul.
• A redução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) poderia ser uma das soluções, porém houve veto da Presidência da República;
• Apesar dos estudos efetuados, comprovando a vantagem da utilização do álcool etílico hidratado como combustível alternativo à gasolina aeronáutica, este benefício tem se situado aquém do esperado, em função, principalmente, do pequeno número de aeronaves convertidas à álcool. É urgente uma política que viabilize maior agilidade na certificação de outras aeronaves para tal uso, sem prejuízo à segurança de voo.
Aéreo x Terrestre:
• Os custos de aplicação aérea agrícola têm como base de comparação os valores de aplicação terrestre. Entretanto, praticamente inexiste regulamentação e fiscalização sobre os serviços e equipamentos terrestres (tratores) o que proporciona que os mesmos tenham custos mais baixos;
• Em função do atrelamento dos preços aéreos aos terrestres, há baixa rentabilidade e limitação de investimentos em tecnologia e em renovação de frota;
• Possibilidade de crédito mais facilitado para aquisição de equipamentos terrestres.
Pesquisa & Desenvolvimento:
• Ainda há pouco entrosamento entre os setores de pesquisa e ensino agropecuários.
• Necessário retomar e ampliar o Termo de Cooperação Técnica Sindag/Embrapa para o desenvolvimento de tecnologias de aplicação.
• Oportuno ampliar a gama de pesquisas que comprovem a eficácia do serviço aeroagrícola (já comprovado no mundo). Entretanto, no Brasil ainda há preconceito e mistificação com relação ao nosso setor.
• Maior divulgação dos estudos e técnicas utilizadas pela aviação agrícola.
Órgãos Governamentais:
• Os órgãos responsáveis pelo meio-ambiente, em alguns casos, criam dificuldades para o desenvolvimento da atividade agrícola nacional.
• Ausência de posicionamento do Ministério da Saúde quanto aos projetos de pesquisa de controle de vetores de doenças.
• Aprimoramento de regulamentação da aviação agrícola para atender às reais necessidades do setor.
É com a finalidade de divulgar as dificuldades e os fatores limitadores mencionados anteriormente, bem como, a necessidade de comprovar a capacidade e qualidade da aviação agrícola brasileira, que o SINDAG se manifesta através desta Carta Aberta.
Temos a certeza de que a aviação agrícola é e poderia ser ainda mais uma grande aliada da causa ambiental e do crescimento da agricultura, pois é o meio mais seguro, eficaz e que causa menor impacto ao ambiente.
Com o “SINDAG – Congresso Nacional de Aviação Agrícola 2010”, este sindicato tem o objetivo de fomentar a aviação agrícola brasileira, propiciando maior união e a valorização das empresas do nosso setor.
Júlio Augusto Kämpf
Presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola